Brum Pereira
Participar de atos de cidadania como a ocupação do Campo do Sarapico nos permite criar um vinculo muito forte com a cidade onde moramos, ou onde nascemos. Ao sair do conforto do “lugar comum”, onde à perspectiva: do carro, da rua, da calçada ou da janela de casa, se tornaram hábito e entrarmos num parque ou praça deixamos de ser observados e passamos então a observar a cidade acontecendo em seu entorno.
Esse ato aparentemente simples, muda a relação que temos com o tempo, com os compromissos do dia a dia. Faz-nos senhores do nosso tempo.
Tá? tudo bem! O que isso tem de novidade?
Nada, se pensarmos em cidades onde já existem espaços públicos livres, e esse espaço público livre é onde eu quero chegar neste texto. Um lugar onde não há freios para a criatividade ou paredes que impeçam de conhecer a criatividade e o talento alheio, onde se pode dar bom dia, boa tarde e boa noite sem importar a quem. Contemplar ter lazer, fazer alguma atividade física, ou pueril deveria ser normal numa sociedade igualitária, mas como todos nós sabemos o Brasil, o Rio Grande do Sul e Santa Vitória do Palmar não são sociedades igualitárias e, portanto seu ato de contemplar, e ter lazer e administrar seu tempo da maneira que lhe aprazer pode ser considerado subversivo ou fora dos padrões.
Já que os detentores do poder, quer político, quer econômico ou fundiário querem que você seja um autômato: _sim Senhor; _não Senhor.
Ocupar o Sarapico é além de garantir o espaço público pros cidadãos é garantir pras próximas gerações: a pandorga; a pelada dos sem camisa contra os com camisa; o guri aprendendo a andar de bicicleta; a roda de chimarrão dos amigos; o violão alegrando os namoricos da adolescência, o primeiro show daquele cantor que ficou famoso, o teatro de rua; o circo; o samba; o cata-vento na mão da criança enfim tudo aquilo que poderá ser comum das pessoas fazerem, no tempo livre que dispõem para se relacionar “intimamente” com sua cidade.
Não perca a chance de ser ator da sua vida e da dos seus filhos.
Ocupe o Sarapico, PRA SER LIVRE.
*Imagens pessoais

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